Toca do Calotas

Nunca fui o primeiro a se apaixonar

Estava escrevendo um post aqui (tá nos rascunhos pois não estou gostando de como ele está) e nele contava um pouquinho do meu caminho de me descobrir viado.

Nisso, fiquei pensando: acho que nunca fui o primeiro a se apaixonar...

Meu primeiro relacionamento começou logo cedo, quando eu recém me descobri aos 18 pra 19 anos. Em um dia eu beijei um homem, 7 dias depois eu aceitei o pedido de namoro. Não que eu não o amasse, mas admito que levou um pouco mais de tempo que ele para me amar. Nós já convivíamos juntos a cerca de 4 meses (ele era meu dirigente na organização política que eu participava) mas nunca o vi com outros olhos; até o dia que a gente ficou a primeira vez. Na minha cabeça da época, eu realmente queria namorar. Mas olhando em retrospecto, acredito que foi uma decisão muito ruim.

Vai vir mais detalhes no outro texto, mas eu nunca tive paixonite no fundamental maior ou médio. Nunca fiquei com ninguém nas festinhas. Seja por desejo próprio (eu não sentia desejo por mulheres e bloqueava meus desejos por homens), seja pelo não-desejo das outras pessoas kkkkk (eu era estranho, baixo, magro vara-pau). E logo quando me descobri gay, não "aproveitei" para me conhecer mais, e fui logo namorar.

Quando eu digo me conhecer mais, não digo raparigar (somente), digo literalmente me conhecer no comportamento gay. Eu cresci em um ambiente hétero, fui crescido para ser hétero, então foi meio difícil no começo assumir um compromisso (gay) sério. Aprendi aos trancos e barrancos a diferença entre um compromisso gay e um compromisso heteronormativo.

Fiquei com o boy durante uns 2 ou 3 (?) anos. Não terminei depois de um chifre e relacionamento aberto para "ajeitar" é o equivalente gay de meter um filho para salvar casamento*, acabou não dando certo por excesso de ciúmes (e hipocrisia) da parte dele (teve muuuuuito mais coisa aqui. Posso contar aos curiosos em uma boa mesa de bar ou no privado).

Após terminar, eu já estava conversando com meu atual. A história é meio grande, mas não pensem que era algo que estava escondido.

"Conversar" com meu atual era algo engraçado pois também não fui o primeiro a desenvolver um sentimento romântico. À época, eu considerava apenas como uma amizade colorida. Ele acompanhou todo meu processo de término também. Depois de um tempo solteiro, ele se declarou para mim, e me pediu em namoro (não-mono), e eu aceitei depois de pedir uns dias para pensar.

Nesse meu período de solteiro, eu meio que rapriguei o que não rapariguei quando eu tinha 18. Daí que, inclusive, surgiu a piada de que eu já peguei mais mulheres que meu Namorado 02 que é bissexual. Durou uns meses mas logo depois aceitei o pedido de namoro. Como era meu primeiro relacionamento Não-Mono, era outra dinâmica e decidi arriscar. Estamos juntos até a data em que escrevo (e espero continuar kkkk).

Já Namorado 02 acredito que foi algo mútuo e, digamos, mais burocrático (?). Ele começou namorando 01 primeiro, antes de eu me mudar para Campinas. Porém, com o tempo, nossa rotina era muito parecida. Acordávamos juntos, íamos para UNICAMP juntos, cozinhávamos e comíamos juntos e dormíamos com o mesmo homem juntos. Acabou que naturalmente começamos a nos chamar de amor e nos considerar namorados. Mas não houve pedido. Não temos aniversário de namoro.

Nisso fiquei pensando. Acredito que nunca sofri o processo de me apaixonar. Sempre alguém se apaixonou primeiro e eu amei e me apaixonei de volta com o tempo, e sabendo da segurança de um relacionamento. Mas acredito que os tempos estão mudando.


Olha, admito que ter mais um namorado já é demais (para mim!). Acredito que é uma atenção maior que se deva dar do que apenas os "ficantes" mesmo em regime não-mono. Nisso, sempre que conheço alguém eu já fico com bloqueio e não avanço em algo mais... romântico.

Mas quem me acompanha no mastodonte sabe que estou tendo sonos (e sonhos) intranquilos ultimamente. Estou sentindo calafrios. Preocupações. Fico feliz quando recebo notificações, fico me perguntando se estou incomodando de mais quando eu falo de mais...

Não vou falar que é amor, também não sei se é paixão... não vou dizer o que eu sinto com tanto carinho pois tenho medo de perder.

O que mais eu acho engraçado nisso tudo, não é o fato de eu estar com essa paixonite, mas sentir essas coisas nessa idade. Me sinto um adolescente. E as vezes não sei lidar bem já que não tenho precedentes. Tenho plena certeza absoluta que, tal qual o último episódio de Fleabag, "vai passar". Mas fica o registro de que eu senti, e que espero que eu saiba agir melhor uma próxima vez.

Meu cigarro é o perfume do mato
A bebida é água da fonte
Meu perfume é flor de laranja
Jogo apenas o jogo do amor
Eu não vou lhe dizer
Que eu não tenho defeitos
Mas com eles me arrumo, me acerto, me ajeito
Meu problema é um segredo guardado no peito
Que se chama paixão
Meu vício é você, meu cigarro é você
Eu te bebo, eu te fumo
Meu erro maior eu aceito, eu assumo
Por mais que eu não queira, eu só quero você

#Pessoal