Toca do Calotas

Polêmica pública mas só as que eu quero

Já tem um tempo que saí do twitter/X e tudo que sei sobre coisas que acontecem lá é contra minha vontade. Também contra minha vontade, os comunistas decidiram que lá é um ótimo espaço para fazer disputa política. Meu namorado ainda está nesse umbral de rede social e vez ou outra me conta o que está rolando no mundinho comunismo br.

Aparentemente, o Jones bloqueou um militante do próprio partido, PCBR, pois este cobrou um posicionamento daquele sobre apoiar ou não o Lula no primeiro turno. E, ainda, hoje de madrugada (07/04/26) fiquei sabendo de uma suposta carta de desligamento do Jones.

Não queria ser amargurado, mas assim: kkkkkkkkkkkkkkkkk.

Mas como ex-militante queria dar meus pitacos sobre a Polêmica. Com isso, vou dividir esse texto em três partes: 1) Minha opinião sobre Polêmica Pública; 2) Porquê ela foi a causa do racha de 2023; 3) Porquê o debate atual ainda é a Polêmica Pública.


Porque ainda acho a Polêmica Pública necessária

Eu participei do IX Congresso da UJC (União da Juventude Comunista, a juventude do Partido Comunista Brasileiro, PCB) em 2022. Defendi, desde a etapa de núcleo (onde o debate são com aqueles camaradas que atuam em um mesmo campo) até a etapa estadual (debate com todos os militantes do estado), a Polêmica Pública, pois achava que esse era o caminho para limar oportunistas, carreiristas e abrir caminho para uma disputa de linhas políticas mais justas do que calar e aceitar resoluções aprovadas pela maioria. Mas vamos por partes.

Leninismo e a polêmica

Importante frisar aqui que não vou aprofundar em outras interpretações sobre como se deve ser um partido comunista. Sou um narrador enviesado e falarei sobre a interpretação marxista-leninista sobre o partido.

Interessante colocar aqui um contexto. O Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR), para quem bem lembra das aulas de história, estava em disputa política entre os mencheviques (maioria) e os bolcheviques (minoria), sendo Lenin pertencente a esse último. Lenin foi um dos expoentes da crítica franca e aberta, pública e interna, à pessoas e linhas do Partido. A autoridade não era o Comitê Central, e sim o Congresso do Partido. Apesar de textos meio inconsistentes, pelo que minha lembranças da época militante me trazem, Lenin não deixou de defender a Polêmica Pública após o golp-, opa, após os bolcheviques tomarem de conta do partido, e até mesmo depois da Revolução de Outubro.

Um conceito muito mal compreendido é o Centralismo-Democrático. Lembro que meus dirigentes colocavam como "democracia de ideias, unidade na ação". Isso significa que para tirar uma tarefa, fazer um balanço, fazer o que for, deve-se haver um debate incansável até um consenso por convencimento ou, caso contrário, decisão por voto majoritário, de forma que todas as posições sejam ouvidas. Após definida a atividade vitoriosa, todos os militantes, até mesmo quem votou contra, precisa cumpri-la. Acredito que esse é um dos pilares de um partido leninista.

A crítica dentro dos limites dos princípios do Programa do Partido deve ser bastante livre [...] não apenas nas reuniões do Partido, mas também nas reuniões públicas. Tal crítica, ou tal 'agitação', não pode ser proibida. A ação política do partido deve ser unida. Nenhuma 'convocação' que viole a unidade de ações definidas pode ser tolerada. > - Lenin, no texto "Liberdade para Criticar e Unidade de Ação" (1906).

Acontece que, pelo que vejo, os partidos leninistas ignoram a parte "Não apenas nas reuniões do Partido". Lembro explicitamente que a orientação era que críticas à organização só poderiam ser feitas em reuniões ou em cartas endereçadas à coordenação superior do organismo. E isso eu já acho um puta problema.

Em um partido de escala nacional, principalmente das proporções do Brasil, é muito difícil conhecer todo mundo. Quando a UJC no Piauí atingiu seu auge, eu só conhecia pessoas em atividades estaduais. Isso faz com que não se conheça, de forma geral, quais as opiniões dessas pessoas. Não adianta só confiar que é camarada: eu quero saber se é um homofóbico, se é um machista, se é um burocratista... isso só é possível se houver um espaço onde eu debata sobre pautas de interesse com essa outra pessoa, e, assim fazer a disputa política.

Aí chega um momento de eleição interna, para cargos de dirigência, e ninguém se opõe já que ninguém conhece esse mano.

Isso vale inclusive para escolha de cargos públicos e teóricos. Frequentemente camaradas ocupavam esses cargos por espontaneísmo e ninguém discutia nada. Ficava feliz pois agora tinha um militante público. Mas esse militante público não era escolhido politicamente, com amplo debate.

A Polêmica também serve como disputa de linha política. Serve para constranger camaradas que tem opiniões de merda, e, com isso, fazer outros camaradas perceberem que aquele lá fala e faz merda, e fazer com que ele perca poder político dentro de uma organização. Serve para tensionar a linha política e sustentar a argumentação. Um amplo processo de convencimento político que, sim, é doloroso, mas é assim que funciona a política.

O problema é que esse processo só acontece(ia?) em momentos congressuais, que eram mais ou menos de 4 em 4 anos, e dura pouquíssimo tempo. Como debater todos os aspectos do Movimento Comunista Brasileiro e Internacional se eu só vou ficar sabendo da opinião de camaradas fora do meu organismo de 4 em 4 anos? Por isso que eu acho que esse procedimento de opinar, ser criticado, retrucar ou se autocriticar, deve ser algo contínuo. Passei 4,5 anos em um partido comunista e afirmo que, assim como em um relacionamento, o principal problema é a falta de comunicação entre os organismos.

Mas então por que Pública? Você pode se perguntar. Lhe digo. Um partido comunista é uma escola para a classe trabalhadora.

Imagine, você, um trabalhador que é interessado em política mas não é militante. Até ontem, seu partido comunista de simpatia defendia a legalização da maconha, que você também defende e, então, hoje, você vai numa agitação desse partido e eles começam a falar que a maconha é uma droga de apassivamento da luta de classes pois ela letarge o trabalhador; o trabalhador precisa estar saudável para lutar contra o sistema (acreditem, eu escutei essa frase).

Ou então, cá está você com burnout trabalhando 6x1 e, até ontem, seu partido de simpatia defendia maior democratização e especialização de profissionais de saúde mental no SUS. Você não consegue ir num ato público marcado e recebe uma notificação no canal de comunicação de informes que você segue que diz "Depressão é um problema do capitalismo que só será superado com sua derrubada! Junte suas forças e venha participar do ato!" (Também já escutei essa).

Quando que seu partido de simpatia mudou de linha política? Quem foram os militantes que defenderam tais posições? Você, amigo do partido, pode escrever para eles mostrando que isso preocupa sua confiança no partido?

Uma Polêmica Pública é importante para que os debates sirvam para formação da classe trabalhadora, fazendo com que ela não seja apenas meras executoras, mas participantes do debate público.

A Polêmica Pública também serve quando se tem um quadro dirigente que frequentemente cerceia debates internos, censura militantes de posições minoritárias. Ser público, garante que a Polêmica seja uma ferramenta publicamente construída, e não instrumentalizada pela dirigência do partido, rs.

Youtra. Ninguém gosta de ser madado fazer coisas sem entender as motivações políticas para tal. Aqueles que são contra a polêmica pública dizem que isso expõe a fraqueza do partido, que mostra que ele não é unitário. A esses eu pergunto, como diabos se consegue uma unidade na ação, de forma eficaz e concreta, na base do faz que eu to mandando?

Uma ação unitária de verdade só se faz com um esclarecimento ideológico completo.

Muitos dizem que Lenin mudou de visão sobre isso, e de fato, em alguns momentos ele mudou sobre como a polêmica pública deve ser organizada. Mas o PCB e outros partidos não estão na ilegalidade, e nós também não tomamos e poder... então né...

Claro, eu também defendo que a Polêmica não deva ser bagunçada assim não. Acredito que quem deva organizar a Polêmica seja o Órgão Central (não confundir com Comitê Central):

Um jornal, todavia, não tem somente a função de difundir ideias, de educar politicamente e de conquistar aliados políticos. O jornal não é somente um propagandista e agitador coletivo, mas também um organizador coletivo. Sobre esse último aspecto, se pode comparar o jornal com a estrutura de andaimes que envolve o edifício em construção mas permite adivinhar seus traços, facilita os contatos entre os construtores, lhes ajudando a subdividir o trabalho e a dar conta dos resultados gerais obtidos com o trabalho organizado. Através do jornal e com o jornal se formará uma organização permanente, que se ocupará não somente do trabalho local, mas também do trabalho geral sistemático, que ensinará a seus membros a acompanharem atentamente os acontecimentos políticos, a avaliar a importância e a influência de diversos estratos da população, a elaborar quais métodos permitem ao partido revolucionário exercitar sua influência sobre os mesmos. Até mesmo as tarefas técnicas de assegurar ao jornal fornecimento regular de recursos e uma distribuição eficiente obrigará a criar uma rede de agentes locais de confiança do partido unificado, agentes [distribuidores e correspondentes] que deverão manter-se em contato vivo uns com os outros, deverão conhecer a situação geral, habituar-se a executar regularmente uma parte do trabalho para toda a Rússia, a experimentar as próprias forças organizando hora esta, hora aquela ação revolucionária. Esta rede de agentes será o esqueleto exatamente da organização de que aqui precisamos: suficientemente grande para estender-se por todo o país; suficientemente ampla e variada para efetuar uma rigorosa e detalhada divisão do trabalho, suficientemente temperada para saber cumprir inflexivelmente o seu trabalho em todas as circunstâncias, em todas as reviravoltas e em todos os imprevistos, bastante flexível para saber, por um lado, evitar a batalha em terreno descoberto e contra um inimigo de forças superiores, que as concentrou em um só ponto e, por outro, aproveitar das incapacidades de manobra do inimigo para cair-lhe em cima no lugar e no momento em que ele menos espera. > - Lenin, no texto "Por onde começar" (1902).


O racha do PCB de 2023

Eu fui eu tava. E eu não consigo explicar em texto tudo que se passou. Aqueles que quiserem mais detalhes, eu falo em uma mesa de bar. Mas basicamente e bem por cima...

Esse é um debate que vinha se arrastando por anos, e só culminou em 2023 pois os cisados tinham a crença de que iam levar a maioria do partido e chutar os burocratistas pra fora. Por que? Um pouquinho de história do PCB...

O PCB que vocês conhecem, eu acredito que é o PCB 3 já. Mas para aqueles que não sabem, houve um grande racha em 1992. O X Congresso deu direito a voz e voto para não militantes pois Roberto Freire queria tirar a foice e martelo, mudar o nome do partido e praticamente acabar com o comunismo já que o "o comunismo já tinha acabado né". Nisso, militantes que foram cerceados do debate não reconheceram esse congresso realizado e saíram do ambiente, foram para o outro lado da rua, realizaram de fato o X Congresso considerado "legítimo" ali mesmo. Após o X Congresso que hoje os comunistas consideram ilegítimo de fato levou a legenda do partido e todo o patrimônio, mudou o nome para PPS e hoje vocês devem conhecê-lo como Cidadania. Por fim, os comunistas que estavam no congresso "legítimo", reconstruíram o "PCB" como conhecemos hoje, mantendo o nome e identidade visual pré-92, mas não o mesmo número.

Conto essa história para que vocês saibam que reconhecimento político não advém da burocracia e legalismos. O "PCB" perante a lei agora tinha virado PPS, o congresso foi feito, legítmo, etc. Mas os comunistas não reconheceram isso. Os comunistas foram impedidos de participarem dos aparelhos legítimos de decisão do partido, mas isso não os impediram de "criar" um novo partido, e reivindicarem a história do Movimento Comunista para si, e não para o PPS. É política. Inclusive, vejam vídeos dessa época, como o do Ivan Pinheiro e da Sofia Manzano, esta, na época da UJC. É muito engraçado ver como os discursos são bastante parecidos.

Os comunistas não conseguiram identificar os oportunistas e liquidacionistas do seio do partido, e o perderam burocraticamente. Esse processo de "criar" um novo partido e expulsar ainda desvios políticos da militância ficou conhecido como Reconstrução Revolucionária. E até o XVI Congresso do PCB, o partido ainda se definia como um partido em reconstrução revolucionária, e não um partido revolucionário.

Isso pois o próprio partido reconhecia linhas divergentes sobre centralismo-democrático e organização partidária; mente quem diz que o racha de 2023 foi algo surpreendente... Esse processo foi morosamente arrastado a tempos, com essas diferentes plataformas que faziam uma disputa política meio que "ilegal". Basta ver que os livros publicados pelos militantes do PCB sempre tem críticas veladas à linha política do Partido; mandam indiretas; existem temas bem específicos que eram selecionados a serem publicados - não no jornal do partido, mas em outras plataformas (isso pois eram censurados ou por escolha própria?). É fácil ver essa correlação. Landi, Lazzari, Jones, e vários assinavam e publicavam livros e coletâneas com escritos que criticavam sutilmente a situação do Partido justamente às vésperas do ápice do Racha. É a velha disputa política. Eu entrei em 2018 e já via essa divisão de "alas". Só que ninguém queria reconhecer.

Só que essas alas ficaram impossíveis de esconder no XVI Congresso do Partido em 2021 (?). As polêmicas ficaram insustentáveis de dizer que a militância era "única". Vou chamar aqui de "os Derrotados", aqueles que perderam por voto boa parte das resoluções propostas para a linha política do partido e que boa parte está hoje no PCBR; e de "a Maioria", aqueles que ganharam a disputa política nesse congresso e ainda estão no PCB.

A Polêmica Pública foi derrotada e diversas outras propostas dos Derrotados. Mas uma delas, importantíssima, foi aprovada, e irei parafrasear.

O PCB, no movimento comunista internacional, deve se alinhar ao bloco revolucionário.

Isso, na prática, iria se mostrar a se alinhar com o famoso "bloco revolucionário" dos partidos comunistas do mundo, acredito que á época era liderado pelo Partido Comunista Grego (KKE). Ou seja, ser solidário à Venezuela, mas ser contra o Maduro e o PSUV e apoiar o PCV, considerar a guerra Rússia-Ucrânia como guerra interimperialista, etc.

O que aconteceu? O PCB silenciosamente participou dessa Plataforma Mundial Anti-Imperialista (PMAI) que tinha opiniões completamente contrárias as que citei. Isso é quebra congressual. E isso ninguém ficou sabendo... Mas eles não contavam que a própria PMAI ia soltar um texto de conjuntura política que continha a assinatura do responsável pelo PCB hahahahahaha... aiai.

Sabe quando você só tá esperando alguém vacilar pra você retornar na mesa tudo aquilo que você perdeu? Foi o que os Derrotados fizeram. Primeiro internamente mas, segundo eles, foram censurados. Então, foram para as vias públicas. Aí se descambou tudo. Negócio foi parar no twitter, começou vazamento de documentos, e foi o início de toda desgraça.

Não dizendo que não foi uma questão legítima, mas hoje vejo que essa situação foi usada por uma parte dos Derrotados como trampolim para alavancar cargos políticos, e não como de fato forçar a mudança de linha política da Maioria; Maioria essa que de fato era burocratista e reacionária (na minha visão). Isso refletiu no congresso da UJC que participei em 2022, que também ficou claro essa diferença de alas.

O Comitê Central, da Maioria, começou a cercear o debate e a forçar unidade entre os coletivos usando o poder da burocracia e sem fazer convencimento político eficaz. Mesmo a pedido de boa parte dos militantes, o CC decidiu não realizar o XVI Congresso de forma Extraordinária. Todo esse clima foi cenário perfeito para os Derrotados acharem que, talvez, se eles realizassem esse congresso... a maioria (com m minúsculo agora) dos militantes iriam com eles, reconheceriam no XVI Congresso Ext. organizados por eles, reconfigurando o Comitê Central.

Os burocratistas ficariam no antigo partido, enquanto que os revolucionários migrariam para o novo partido, reconhecendo este como o legítimo sucessor da foice e martelo brasileira, bem parecido com 92. Mas isso não aconteceu na rapidez que acredito que eles achavam que iria acontecer. Até hoje ainda estão disputando quem é o verdadeiro partido comunista brasileiro, quebrando vários comunistas nesse processo.

Quanto a mim, decidi sair ainda no racha. Eu conheci presencialmente aquelas pessoas que estavam se colocando na dirigência dessa "reconstrução revolucionária". Já sofri xenofobia nas mãos deles. Já ignoraram minhas contribuições. Já foram racistas com pessoas próximas a mim. Já vi práticas de mandonismo, burocratismo e carreirismo dessas pessoas. Sabia que esses gritos que o RR dava contra o CC do PCB era só verborragia pois a maioria que estava gritando fazia a mesma coisa; enganando aqueles militantes de base que de fato acreditavam que esse era o melhor para o Movimento Comunista Brasileiro.

Esse racha só aconteceu pois a Polêmica Pública era proibida por resolução. Os burocratistas tinham rabo preso e não queriam expor suas atividades. A comunicação nunca foi uma via de mão dupla. O racha, ao meu ver, era inevitável.


Por que ainda é a Polêmica Pública?

Bom, após o Jones bloquear o militante do PCBR esses dias, o twitter começou a pipocar de denúncias sobre o Órgão Central do PCBR. Aparentemente textos estão sendo censurados; existem "temas" que só podem ser polemizados internamente, e não publicamente; a organização da Polêmica está também muito ruim.

Já vim militante pedindo um XVIII Congresso Extraordinário para tratar desse tema. Meu deus do céu.

Agora é no mínimo irônico que, na época do Racha, uma das críticas dos Derrotados era que o PCB se colocou como apoio crítico ao governo Lula, e não contra; e agora ver que o principal quadro político do PCBR supostamente iria apoiar o Lula no primeiro turno pelo suposto acordo com o PSOL (uso suposto aqui pq n tenho conhecimento de documentos reais sobre isso).

Não vou falar aqui de minúcias sobre a carta de desligamento o do Jones, pois acredito que há críticas legítimas ali sobre o direcionamento de prioridades eleitorais e garantia de segurança de quadros públicos. Mas, sinceramente, eu me pergunto à galera do PCBR, vocês esperavam o que?. Porra galera, um bando de mandonistas em cadeiras de direção que vocês, com advento da Polêmica Pública, não conseguiram depurar?

E agora cerceiam o debate, censuram textos e enrigecem o Órgão Central... não eram justamente esses dirigentes que eram contra isso?

Enfim. Só espero que fique cada dia mais escancarado a linha mandonista dessas pessoas. Quem sabe, de fato, se tenha um dia um partido leninista de verdade no Brasil. E lá se vão mais 50 anos...

#Comunismo #Opinião #Política